11 de setembro de 2018

Sobre o amor


O amor é encontro de luz entre duas almas que se entendem sem falar uma palavra. É a conversa entre os olhares no infinito silêncio do entendimento entre os seres.

O amor é o que dá a sensação de infinidade ao tempo, aos relacionamentos. Com ele podemos nos dar ao luxo de sentir o tempo parar, como se mais nada houvesse no mundo.

Toda intensidade preenche os espíritos e os corpos com altas doses das mais fortes substâncias da natureza. Transbordam-se em sorrisos os amantes só te poderem enxergar o que sentem frente a frente, um no outro.

Estar parado com a luz da lua no balançar da rede traz a sensação de ser imbatível. Como se não houvessem questões a serem resolvidas. Sofridas. O sofrimento então, se coloca no seu devido lugar, em uma caixa fechada que ninguém tem a chave.

O amor torna as palavras dispensáveis e a beleza um mero detalhe. O sorriso não é sorriso pelos dentes branco e perfeitos, mas pelo que ele representa. O olhar não é belo por ser colorido ou brilhante, mas por abrir as portas da alma.

O amor faz o homem do mais forte. Da mulher mais segura. Do céu mais colorido. Da chuva mais agradável. Do futuro esperado. Do passado um detalhe. Do presente uma alegria.

O amor faz das pernas inteligentes caminhos para se deslocar por estradas completamente desconhecidas e enviar às favas os detalhes de localização, pois na visão de quem ama, o caminho é a maior felicidade em se encontrar.

E se um dia o amor encontrar alguém que não acredita nele, sequer se dará ao trabalho de provar o contrário, porque mais cedo ou mais tarde tudo se tornará claro...
O amor é a força que falta a quem não o conhece.

11 de dezembro de 2016

Eram

Era sorriso. Um puro sorriso vindo dali. Era uma presença, presença boa que percebi.
No meio do caminho, tropeçamos. Nas quedas do caminho, nos encontramos.
Já era noite. Era sorriso. Era madrugada. Era um abrigo.
Já era madrugada e eu seguia, seguindo. Era profundo, silêncio, sozinho.
Solidão, não era a assim tão ruim. Quão temeroso seria aceitar que o seu melhor estado era assim, sem platéia ou troféu?
Só me deixe assim aqui quieto, porque o vento da madrugada já chegou. Era frio. Era um sorriso. Que sorriso!
Era singelo, um abrigo.

24 de novembro de 2016

Teus olhos

Nunca vi teus olhos
Mas parece que os reconheço
Baixos, profundos e acompanhados de um sorriso

Nunca vi teus olhos 
De perto
Mas parece que os reconheço
e nas palavras que ouvi, 
havia uma voz, que gostei, pela qual tive apreço

Eu nunca vi teus olhos
e talvez nunca os veja
mas já valeu a pena ter de novo essa
sensação
de que minhas palavras são colhidas por alguém

Às vezes são só o que tenho
Por vezes são tudo que tenho
Na maioria do tempo não tenho nada
Mas agora tenho os teus olhos
Que eu nunca vi
Mas hoje sei que existem

21 de novembro de 2016

Addio

Deixe, morto e decrépito aquele sentimento que outrora nutrimos, esvaído no tempo de tanto desprezo.

Se perfaz em nada como o vento que sopra em outra direção sem ter o que carregar, seguindo o caminho perdido das estradas vazias.

Leve, morto o que já não existe mais. Admiração, respeito, consideração acabou, não há mais nada, sequer amor. Não há verdade, não há rancor.

Sua beleza se foi e agora é apenas um pedaço de carne perdido no mundo, não é nada mais além de uma arcada amarelada, nem perto daquele sorriso. Não há mais, amigo. Não há mais amigo.

A pior morte é aquela por envenenamento, que vai matando aos poucos sem deixar rastros. Aquela em que se bebe uma dose de decepção, uma dose de desprezo por dia, uma dose de trevas que tomam o coração.

Era importante, relevante, hoje já não faz diferença. Parabéns! Conseguiste o que tanto queria: O nada sobre o que havia em tudo que nunca existiu.

10 de novembro de 2016

Ah, ela, era

Os olhos fechavam e se viam
Ela se encontrava com alguns gosto que eu tinha
Era estranho como as coisas se encontravam no ar, mas eu não a via
Será que ela realmente existia?

O pouco tempo de vida se esvaia nas palavras firmes de uma moça, doce
Ela aparecia assim, um dia sim, outro dia talvez, quem será que trouxe?

Ela perdia as palavras quando as palavras descreviam o que ela via
Sozinha, gostava de ficar e resolver os seus próprio conflitos, em dia

E assim ela seguia, maior do que parecia, mais firme do que devia e mais promissora do que sabia.

17 de outubro de 2016

Poesia Pura

Uma cantoria embaixo da janela
Um beijo, uma risada
Não dá pra ver tristeza ali
Porque alegria dela sempre gritava

Ela é uma alma leve
Era livre como o vento
Tinha uma poesia que agradava
Até seu coração fora do corpo
Lhe mostrar que ela não tinha
controle sobre nada

Ela tinha ido, 
apesar de nunca ter sumido
Inexplicavelmente voltou
E era como se nunca tivesse partido

Dona de um olhar carregado 
de sinceridade
Se perfaz em sorriso 
De uma presença que demonstra coragem

Transborda e deixa a borda
cheia de si
Com um encanto que 
Não tem palavra que possa definir

Uma amiga incrível
É bem verdade
Com quem tenho o prazer 
De dividir a velhice da loucura
apesar da nossa pouca idade.