16 de janeiro de 2016

É, eu sei.

É, eu sei
Difícil condensar isso tudo
Quando o coração se fecha
É até melhor mudar de assunto
Mando logo agora o que me vem à mente
Antes de perder a inspiração e ficar mudo
É, eu sei
É tão confuso
Mas realmente esse nunca foi o meu intuito
Sabe, eu me esforcei de verdade pra que
não parecesse tão obscuro
Mas fazer o quê? A vida me fez construir algo assim
Como um muro
É, eu sei
Deve ser algum distúrbio
Querer alguém por perto e não saber manter sequer por um segundo
E, quem diria?
As palavras em que mais confio, me traíram
Veio abaixo algo tão bem construído
em um só minuto
É, eu sei
Do que se trata e não discuto
Pode ser só mais um ciclo no final
É, eu sei
Estou quits com o mundo
Sozinho seguirei, errante, vagabundo
Ainda sim digo: que pena
Foi tanto tempo, mas pareceu tão curto
É, eu sei

7 de janeiro de 2016

Raiva

Na raiva, na hora da raiva eu me tremia por inteiro. Era como se uma bomba explodisse sem se dissipar. Era  um turbilhão sem sair do lugar. Era um sentimento de impotência que precisava ser exalado de qualquer forma e a qualquer momento.

Meus braços tinham mais força do que o normal e meus olhos enxergavam cegamente poucas coisas ao redor. Era como se o barulho ensurdecedor e o silêncio absurdo estivessem presentes no mesmo lugar e tudo aquilo fazia um paradoxo de loucura dentro de mim.

Pensava em gritar, mas apenas calava. Pensava em sair correndo, mas me segurei bem ali, no mesmo lugar e na mesma posição. Engolia à seco e ouvia pacientemente enquanto administrava toda a reviravolta que o corpo denunciava.

As coisas iam ficando mais rápidas, ligeiras e eu me tomava, me embebedava de adrenalina, sem poder usá-la. Eu queria correr sem rumo por aí, queria gritar e dar um soco na primeira coisa que encontrasse pelo caminho, mas fiquei.

Era um sentimento dinâmico, intenso e inexplicável. Era uma raiva contida por mim diante de um autocontrole que poucas vezes ouvi falar. Sinceramente, não sei como não agi da maneira que gostaria. Foi a situação mais difícil e complexa para dizer não a mim mesmo.

Agora eu já estava completamente fora de mim e perdido nos pensamentos mais sórdidos, toda a realidade parecia uma história distante contada por alguém sem qualquer expressão. Os barulhos ecoavam e pareciam mais distantes.

O escuro e o sereno da madrugada eram providenciais para a treva que havia dentro de mim. Nada me faria parar se fosse, mas não fui. Quando a calmaria se traveste de fúria, não há reforço que impeça. Não há palavra que a faça dissuadir. Não há nada nesse mundo que pare uma bala depois do gatilho ter sido apertado.

Um dia perdi o controle  sobre mim, mas não perdi o controle da situação. Era como se tentasse desesperadamente argumentar com outra pessoa; essa outra pessoa era eu.

Na raiva, na hora da raiva eu me tremia por inteiro. Agora conheço um pouco da minha força, que consiste muito mais em ficar do que em ir. Na hora da raiva eu tremia por inteiro. Por inteiro.

3 de janeiro de 2016

Dor

A dor em meus ouvidos latejam ao engolir a saliva, quando tento ouvir sua voz é o silêncio que me faz sentir tão só, tão sozinho.

O incômodo da dor física nos faz mais pacientes, nos faz resistentes. A famigerada dor metafísica nos faz perder o rumo, nos faz perder o poder de reação. 


O tempo que passa agrava a dor, de não existir mais nada e de não haver mais... O cansaço nos pega no meio desse caminho e aquilo que era o objetivo passa a ser apenas um detalhe. Tudo o que nos envolve é um mero detalhe, assim como a dor. 

A dor em meus ouvidos latejam a cada engolir. Ao tentar ouvir sua voz, por favor, me responda de alguma maneira, não há desprezo pior do que esse silêncio absurdo e absoluto. 

Sinto o corpo esvair.

Sinto a alma pedir.

Não sinto nada além de espera. Esperar.

Espero que um dia passe e deixemos de ser reles promessas. Como sempre, alguma coisa do futuro. Não tenho nada além do que o agora. O agora é meu auge e meu maior investimento. 

A dor em meus ouvidos latejam a cada engolir de saliva, quando tento ouvir sua voz é o silêncio que me faz sentir tão só, tão sozinho. 

28 de dezembro de 2015

Amargura

Ainda sinto o gosto amargo do uísque em minha boca seca. O gosto amargo daquele destilado barato em minha boca.


Meus olhos tentam olhares diferentes, desesperadamente montar as formas que façam algum sentido para entender o mundo em imagens. Frustrante.

Um homem de tão pouca fé, ajoelhado pelas consequências, prefere levantar esse corpo fétido e trabalhar. Tentar viver nessa carcaça em frangalhos.

Mais cicatrizes tatuam o corpo, guardo vários no bolso juntos das chaves de casa. Essas marcas contam uma história obscura que o silêncio faz questão de calar. 

Mimado! Egoísta! Soberbo!

São tantos rótulos, imagina se fizesse questão de explicar?

Enquanto isso um dia segue o outro na já tão conhecida ditadura do tempo, que não se importa com nada. E eu aqui, me importando com o tempo. 

Com quanto silêncio se explica uma dor absurda?

Ainda posso sentir o gosto amargo do uísque em minha boca seca. O gosto amargo daquele destilado barato em minha boca.

20 de dezembro de 2015

Quem se vendeu?

Talvez ser ninguém no sistema seja tão pouco. Talvez fosse correto lutar para ser a própria felicidade.
Quem se vendeu?
Não me vendi.
Certeza?
Claro que sim.
Vejo um moleque querendo ser o que acredita ser, logo.
Mais um garoto se fingindo de homem feito, escondido atrás de um terno e gravata.
Ele tinha tudo para ser a vida padrão, mas disse não.
Que caminho seria pior do que a escolha de ser alguma coisa relevante. Ter uma voz?
Quem se vendeu?
É um tempo investido aqui para ser investido em outra coisa. 
O tempo passa e acabou. A bagagem da vida pode ser experiência.
Prefiro essência. Quem se vendeu? 

Não fui eu.

30 de julho de 2014

Sei lá

Um não querer travestido de falta de tempo. A oportunidade ausente, presente no medo das cenas tão desgastantes. Não quero ver.

Usar da circunstância para evitar estar em outro lugar que não se deseja estar, passando levemente pela mentira, talvez para relevar um peso enormes nas costas.

Acostumar-se com sentir, com perder, com a angústia de viver momentos desagradáveis, desfavoráveis. Na força que guia as ações encontram-se as reações, que dizem, são o que realmente somos. 

Saber que vai, sentir que vá, querer sumir em um vão qualquer. Tragam a escuridão que habitava os momentos mais pesados para podermos nos guardar lá dentro, até a hora de sair e enfrentar o mundo. Faça o refúgio de uma paz sem escrúpulos, de uma bondade sem precedentes, de uma verdade fascinante, refugie-se em mim.

Não posso ser salvo, coloque todo o peso em mim e vá embora antes que seja tarde. Deixe-me acompanhado de solidão como sempre foi, é uma escolha complexa estar aqui. 

Ora, veja só, as palavras que sempre são colocadas na hora certa não têm chegado nem perto de traduzir, de refugiar esses sentimentos avessos que dão um nó no peito. Quem sabe não seja a hora de calar, o silêncio nunca erra.

É um não querer travestido de falta de oportunidade, presente no medo das cenas tão desgastantes. Não, não quero que vá. Não vá.

O amargo gosto de acordar com mais um dia de apreensão pela frente traz o sabor o iminente desafio, daqui pra frente. usar da circunstância para evitar estar em outro lugar que não se deseja estar. Acostume-se com sentir, não, não há como evitar.

Faça de mim sua morada e esteja sempre por perto, na verdade é tudo o que salva... É tudo que acaba em si mesmo. Quando estou aqui, por mais dilacerador que pareça, meu egoísmo não me faz querer mais nada. Tudo é um mero detalhe.

29 de julho de 2014

A Cura

Tire-me desse lugar. Não quero mais ficar aqui, saber onde começa e como termina cada andar. Quero sair daqui, desse lugar. O clima frio, olhos baixos e o corpo cansado, me tirem daqui.

Todos os semblantes perdidos esperando a cura, acreditando no milagre das coisas mais simples. Que loucura! Abrir os olhos é uma aventura um tanto quanto comemorada. Lá se foi  toda a força, todo o poder, autonomia. Não somos mais os mesmos.

Procuram alguma coisa para olhar e esquecer o que têm entendido, constantemente. Os sorrisos trancados, os abraços travados, um segurando o outro, mas todos beirando desmoronar.

O que somos nós? O que seremos de nós?

Resistir é a maior lição. Resolver as próprias mazelas por si só, dentro de si e só. Os dias passam e se arrastam, envelhecemos anos em semanas. Apegamos-nos enquanto tentamos fazer dar certo, enquanto queremos ser alguma coisa que seja útil, que seja... Alguma coisa.

Sua cama vazia. Não o reconheço mais em seu próprio rosto. Sua feição é incomum a mim, comum ao mundo. Onde estão as palavras que sempre disseram tanto? O legado está aí ao mesmo tempo em que outras coisas estão indo embora. Não sei se sinto mais por quem se vai ou por quem fica.

Todos os rostos cansados em busca da cura, é nessas horas que vemos o quanto tudo que acreditam não serve pra nada. Somos o que podemos ser. Somos o que devemos ser. Somos o que precisamos ser. Somos o que somos em nós mesmos, por mais que busquemos em outras coisas, nada faz sentido além de nós.

Olhos fechados, sorrisos rasos se encontram. Olhares quase falam. Pedimos ajuda, pedimos calmaria. Quanto peso nessas costas, quanta paz que eu queria.