22 de março de 2014

O que não deveria ser dito

Deveriam permitir colecionar alguns momentos, sabe? Pegar mesmo e carregar no bolso, até chegar em casa e poder guardar em uma caixa no armário.

Daquelas que não servem pra ninguém além da gente. Nem pra nada, a não ser pra isso. Alguns objetivos... Sei lá... Concha da praia, foto velha a se mexer, a carta quase a falar.


Que incrível seria recuperar-se, estar de novo naquele momento que nos ensinou o que pode ser felicidade. Ter alguns minutos de volta daquela viagem com os amigos ao litoral, quem me dera!


Receber um pouco de paz em que os olhares trocados se contemplavam e agradeciam por meio de um sorriso de contradição, puro e maledicente. Enquanto pensavam, mergulhados em devaneios, as mãos se reconheciam ao toques receosos daquilo se tornar necessário.


Caramba! Encontrei essa caixa por aqui e acabei viajando, quem disse que não é possível guardar bons momentos no bolso? A memória se encarrega de fazê-los aparecer, saudosos e satisfeitos.


Lembranças boas amenizam futuros temíveis e presentes sufocantes. Boas lembranças nos fazem sentir de verdade o que já passou, como se nunca os houvessem deixado ir. 

26 de dezembro de 2013

De resto

Preciso do mundo. É tudo isso que ainda não conheço que me faz continuar de pé, porque essas coisas que surgiram até aqui são pouco. Muito pouco. Em conflito com as consequências das atitudes tomadas de cabeça quente por um garoto, um moleque, hoje sofro.

Quando imagino estar no controle da situação me lembro abruptamente que sou um reles resultado das cicatrizes que carrego até aqui, junto a algumas feridas. Pe
rder o controle é o mais perto que consigo chegar da paz. Essa mania de estar administrando atitudes e efeitos o tempo inteiro cansa. Dói, mas não tanto quanto as lembranças.

Um prodígio. Um injustiçado Um revoltado, revolucionário. Um moleque perdido. Um homem ressuscitado. Um projeto em andamento. Um cara animado. Um sujeito esperançoso. Um ex pessimista, aposentado. Um opressor. Um canalha formado. Um viciado.

Pelos cantos abusando da minha integridade, te torno um espectador temporário. Me torno uma vítima derrubada, ao chão. Sou forte, gigante, sábio e curado. 

Eterno escravo da falta de paciência, resultado de um efeito placebo estruturado com muito cuidado e pesar. Tudo é dor? Seja lá como for, daremos nosso jeito de escapar dela, de esquecer. O resto de orgulho ferido que persiste. O orgulho que persiste ferido ao resto de nós.

Buscando bem longe a solução para um vazio que não faz sentido algum. Se ali, onde havia tanta verdade, tanto sentimento, tanto valor, tanto investimento não serviu para nada, pra que servirá? Ser carne, ser navalha, ser otário, ser canalha... Estar emudecido é o que descreve alguém agora. Quantas palavras seriam necessárias pra entender o que ser passa?

Imagens. Fotos. Retratos. Desenhos. E o que passou perto de curar já se foi, já que deixar as coisas por perto nunca foi uma especialidade da casa. Da casa da solidão. Da observação. Da limitação. Aqui não, aqui não é mais lugar pra essa carcaça vazia e arrastada.

E quando... Diga-me! E quando o projeto for realizado e as coisas estiverem em seus conformes onde poderei comprar o remédio pra essa dor? Por favor, se for possível nos indique o caminho. Caso contrário já não fará sentido algum continuar. Vamos terminar por aqui?

Já não vejo como antes, já não sinto como antes, já não acredito como nada. Eu sou o nada. Eu sou o resto de tudo o que já passou por aqui. Eu sou um sobrevivente da enchente de merdas que inundou essa existência breve e pesada.

Quando os vilões se tornarem vítimas as coisas estarão parecidas com o que devem ser. Não venha me dizer o que fazer, não saberia da metade do que se passou mesmo que eu tenha tido a confiança de contar-te. Nem que tudo isso seja apenas um teste, passou da hora de começarmos a trabalhar na aprovação.

23 de dezembro de 2013

Platônizando

Há quem tenha o tom de tornar possível reviver momentos bons com apenas singelas palavras. Há quem lhe faça sentir vontade de fazer aquilo que já tinha caído no esquecimento. Há quem com uma hora tenha lhe dito coisas mais lindas que outras que conhece praticamente a vida inteira.

A partir de mim mesmo lembrei o que gostava de dizer e guardava, rabiscado em um pedaço de papel qualquer espalhado pela sala. Gosto das horas que passam devagar e do barulho que o ponteiro do relógio faz enquanto me lembro o tanto de coisas que gosto de ser e já esqueci do que se trata.

Fico aqui, analisando a minha volta todas as possibilidades e o vazio que se perfaz em tudo. Me pergunto: O que falta? E a resposta parece estar tão longe. Quem sabe um dia eu não a encontre? Dia após noite, nos atropelos da cidade as coisas se transformam em tudo aquilo que nunca passou pela imaginação. Nós nos viramos como podemos. Nos fantasiamos de felizes cidadãos poderoso e completos para passar despercebido pela dor que arranha.

Quem foi que disse que a luz é que traz a salvação se eu me sinto muito melhor nesse escuro? Aqui não preciso parecer nada, fazer nada, ser nada. Assim sou apenas o que sinto. O que ouço e quando quero ouvir. Aqui eu apenas respiro e me lembro. Enquanto me lembro o meu corpo trabalha lentamente para me manter calmo, como a mente que fosse da redoma do cotidiano.

Ah, confesso que quis você por perto diversas vezes para lhe mostrar os pormenores de tudo o que digo. Era ali, nas cartas que nunca escrevi que penso conseguir colocar um pouquinho de mim, perto de ti. E de todas as brincadeiras, nunca houve uma intenção tão sincera de tratar tudo com mais seriedade.

Ficar esperando as borboletas chegarem ao jardim nem sempre é o melhor plano. Um dia as coisas todas se cansam de estar como estão e na maior das atitudes loucas precisamos correr atrás do que nos encanta e cativa.

Incólume aos acontecimentos presentes andando com o passado preso aos tornozelos vamos seguindo em frente. Passaríamos por tantas coisas que seria até engraçado ler qualquer coisa parecida depois, porque diversas vezes me peguei pensando: Caramba! E se a correspondência for um sinal da loucura, dizendo serenamente pra sanidade tomar uma atitude mais segura e ir lá, buscar o que deve?

13 de novembro de 2013

Decepção


Decepção, que não encontra aquele caminho que pensava ser eterno. Decepção que interrompe o trajeto dos sonhos. Decepção que faz de uma pessoa importante, grande marca. Decepção é a consequência da confiança oferecida. Decepção é coisa que dói.


Decepção é a frustração da expectativa da alma. Decepção é o desfalecimento da esperança. Decepção é a mudança do olhar sobre alguém. Decepção é a morte de tudo o que foi feita em razão única e exclusivamente do bem.

Decepção, o resto de tudo o que existiu para se acreditar. Decepção é o traço errado de um desenho realista perfeito, até outrora. Decepção é não ter vontade de dizer mais nada, para não cagarem nas tuas palavras. Decepção é a falta de conhecimento da verdade. Decepção é ignorar o velho conhecido. Decepção. Decepção. Decepção. DECEPÇÃO DO CARALHO!

Decepção é o pôr-do-sol em um dia chuvoso. Decepção é o alagamento do asfalta mal feito. Decepção é o peixe morrendo asfixiado. Decepção é o pássaro caindo, com as asas cortadas. Decepção é o coração que dói só de lembrar. Decepção é coisa que dói.

Decepção é saber que poderia ter sido diferente. Decepção é a falta do retorno esperado. Decepção é a não correspondência do passado. Decepção... é jogar no lixo como uma coisa qualquer todo o sacrifício resultado de tanto trabalho. Que decepção. Decepção é coisa que dói.

Decepção é a imagem jogar na cara da imaginação que não daquele jeito. Decepção é o tapa na cara. Decepção é o sol de meio dia com um blazer de veludo. Decepção é a chuva gelada. Decepção são os pés encharcados. Decepção é o final da história sem graça. Decepção é a falta de sal da comida. Decepção é a lágrima que não desceu. Decepção é o choro calado. Decepção é a falta de um olhar tão importante. Decepção é coisa que dói.

Decepção é se colocar por baixo de todas as coisas, pra não se machucar. Decepção é se esconder de todas as coisas, pra não se ralar. Decepção é não falar nada, pra não se arrepender. Decepção é tudo aquilo que vem de dentro, lá do fundo, do âmago, com toda a sinceridade e não serve pra nada. Decepção é todo o esforço reduzido a termo. Decepção é a mesma situação que você esteve ser tão tranquila agora.

Decepção é não saber falar de tanto que leu. Decepção é não saber cantar de tanto que escreveu. Decepção é ninguém ler o que deveria ser bradado aos sete cantos. Decepção é ninguém ouvir o que estão sussurrando. Decepção é o caminho não ser mais tão agradável como na outra viagem. Decepção é o refúgio não guardar mais nada de nós. Decepção é um segredo que não é mais segredo pra ninguém. Decepção é uma coisa que dói.

Decepção é ser tudo aquilo que reprovava a vida inteira. Decepção é ver os valores sendo usurpados de qualquer maneira. Decepção é ver a seriedade sendo levada como brincadeira. Decepção é ser mentira e não haver qualquer coisa que se torne mais, verdade. Decepção é uma coisa que dói. Decepcionar é uma coisa que destrói.

6 de novembro de 2013

Se a imaginação fosse como era

Tuas mãos nas minhas se encaixam. Você é linda. Ao teu lado me sinto um homem muito mais poderoso do que costumo se, sozinho. Teu sorriso. Ahh... Você é linda. Antigamente você era uma garotinha sem muito conhecimento da vida. Tinha medo de sair na rua, tinha medo de falar o que pensava, medo era o que mais tinha. 

Tinha rosto de menina também, corpo de mocinha. Tua presença na minha se encaixa, eu sorrio. Tua voz melhorou, onde você encontrou essa segurança? Fico feliz em saber que as coisas tem melhorado e um bom rumo encontrou teu caminho.

O dia hoje está bonito, a cidade está incrível. A chuva cai por sobre as nossas cabeças, ou pelo menos tenta. As marquises nos protegem, nos escondem. Nossa, que mulher! Ei, espere aí! Pensei... Se foi. Sumiu.

Engraçado como os caminhos se cruzam, as oportunidades sem mostram e a gente as perde. Perde rumo atrás de mais diversão. Poder. Por pura falta de vontade, de necessidade, de paciência até. Quanta gente indo e vindo. Quero minha casa. Quero minha alma, minha alma de volta!

Desculpe, me perdi nesta redoma de devaneios mais que conhecidos. Como eu dizia: As coisas poderiam ter sido muito boas entre a gente, pena que cada um estava olhando pra um lado no dia em que passamos um pelo outro. Juro que se você existir mesmo, não vou deixar passar. O tempo só é relevante enquanto nos preocuparmos com isso, as coisas transcorrem além do relógio. As coisas dissolvem no asfalto ao mesmo tempo que pisamos em nossos sonhos pra podermos correr da chuva e chegar na hora do trabalho.

Onde você poderia estar nesse momento? Estou aqui, olhando pela janela as pessoas passando lá embaixo, se molhando, se protegendo e ganhando a vida. Há uma moça correndo, acho que está atrasada. Vi um cara cambaleando, acho que está drogado. Esse crack é foda. Não entendo como um cara se mete nessa, o cara tem tudo! Ou melhor, tinha tudo antes de usar essa pedra do diabo, né? Tinha fome. Tinha frio. Tinha solidão. Tinha dor. Tinha inimigos. Tinha dignidade.

Tenho que parar com essa mania de me perder em pensamentos, não há mapa que resolva. Uma porcaria. Cadê minha bússola? Como se usa uma? Liga o GPS. Odeio celular. Quero minha casa. Então, quando você resolver aparecer a gente conversa, que tal? Posso te mostrar alguns textos, a gente ouve uma música, come alguma coisa ou não fala nada, nem come nada, nem ouve nada. Não falar nada também é ótimo, já experimentou?

Que dia lindo. Tá nublado, chuvoso, preguiçoso. No dia que você resolver aparecer te mostro essa vista, prometo. Você tinha tudo pra ser muito encantadora. Seus cabelos longos, suas covinhas no rosto, tua pele lisa... Será que é assim mesmo? Vou te mostrar essa vista, prometo.

Quero obrigação não. Não gosto de dar satisfação, não. Não, não quero. Deixa, deixa pra lá.


5 de novembro de 2013

Cansaço


Destaco o cansaço que há aqui, se esforça para percorrer cada parte do corpo e doer. Desfaço qualquer momento de não sentir, para competir o tempo todo com o mundo.


Os olhos tendem a fechar enquanto as dores tentam impedir, fica difícil relaxar, descansar. Não quero mais nada. Não foi isso que pedi.

Como um lobo solitário que acabou de saborear uma caça, pouso meu corpo na primeira árvore e sombra que encontrar. E minh'alma assiste a tudo calada sem me ver partir.

Me sinto bem com o nada de despreocupação acentuada, descuidada e negligênte. Tudo o que passa por aqui, as vezes só passa e nem se dá conta da gente.

Onde resgatar as forças sem saber se as perdi, quem sabe nunca as tive e fora só me arrastando que chegaria até aqui. Um tempo bom, a solidão e a sobriedade que me castiga. Certeza e consciência de um louco.

Enquanto não chegar, aqui é o melhor lugar, confuso entre as nuvens que nublam o céu sob esse aroma de terra molhada. Curtindo um cansaço que é quase um irmão que acompanha cada ação e torna mais propícias as omissões. Aqui é o melhor lugar.

Já dizia F. Pessoa: "Há um cansaço de inteligência abstrata, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como um cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma."



21 de outubro de 2013

A arrogância da confiança


Pecamos. Pegamos o tempo torto e cicatrizado até deixarmos calejar, quando as mãos o seguram de forma firme dá-se a sensação de que está tudo sobre controle. Afinal, algumas repetidas vezes depois de passar pela mesma história imaginamos como seria  e temos plena convicção de sermos capazes de manipular o final, ledo engano. HAHAHA

Com sua gravata, seu arco e sua flecha empunhados seguira em direção ao desafio no qual entendera por bem subestimar, não faltar com o respeito, subestimar apenas pela recorrência das vezes com que havia lidado com aquilo. Ah veja, que nobre surpresa da vida porque a sabedoria é construída sobre o entulho das certezas que ela mesma destrói.
Ali estava, uma jovem alma preparada para tudo com cada consequência medida. Desprovido de medo, sequer nervosismo o assolaria no que se colocava realmente natural desabou em sua cabeça, sua própria confiança. Segurança aquela que outrora o salvara em clara desvantagem, o fizeram reflexo grande demais e aquela luz assustava os demais, era demais.

Entre o receio de partir e o cansaço de ficar por aqui no mesmo lugar de sempre, todos ficaram em estado de alerta contando com sua possível iminente partida, em vida. Naquele olhar enxergava um caminho, utópico e descabido. Mas que parecia realmente ser o mais bonito, o que seria da verdadeira beleza sem um toque de platonismo?

O silencia é uma escolha para a desordem que as coisas se encontram dentro de si, qualquer palavra poderia talvez descrever a maior confusão que se apoderou do seu espírito. Uma rotina cansada, porém confortável que não o deixa estável, porque a sua estabilidade se mantém na guerra e na frequente luta. Quando o nada acontece por muito tempo sem dar trégua, o guerreiro se sente inútil.


Que a medida da confiança seja mensurada de forma a não iludir os caminhos a serem perseguidos, muito menos as ações a serem tomadas. Por que é no sucesso que o homem mais se perde, pois sua verdadeira face se mostra na guerra, nas batalhas que são submetidos os que sabem que a vida é uma constante, distante. Fora agredido de forma sutil e devastadora, a imagem refletida de si o traiu e ficou de joelhos por pura arrogância de sua própria confiança.