17 de dezembro de 2010

Solidão

Em alguns poucos dias as coisas podem mudar drasticamente e de porto seguro poderás passar a ser como uma gaivota perdida no ar, procurando onde repousar. Como é estranho a sensação de exposição e fraqueza a que somos submetidos quando em tão pouco tempo nos sentíamos grandes possuidores do conhecimento.


Quem sabe alguém bata a porta dizendo estar com saudade e que veio apenas para conversar um pouco. Quem sabe alguém toque a campanhia aos gritos de alegria. Quem sabe alguém ligue para pedir uma informação e pergunte como vai a vida apenas por etiqueta. Quem sabe apenas ligue por engano. Quem sabe deixe o telefone ligado. Quem sabe atenda –o. Quem sabe lhe entenda.


A sensação de pequenez a que somos obrigados a destrinxar numa explanação racional nenhum pouco comum é instigantemente sofrível e doloroso.


Quem disse que multidão acalanta alguma coisa dentro de nós? Um exterior lotado de pessoas e vozes e olhares e sorrisos e sons não é capaz de nos tocar nem por meio dos sentidos se não estivermos aptos e felizes com essa ideia.


O monstro da solidão é gigantesco e silencioso, machuca pela própria ausência. E Hoje sinto-me tão sozinho que não consigo encontrar nem as palavras para aliviar-me de tanto vazio.


Talvez tudo isso seja a vinda a tona de tudo o que é reprimido pela razão para que não nos machuquemos tanto. Talvez não. Talvez seja a verdade aflorando na realidade que nos recusamos a enxergar. Talvez. Talvez, quem sabe?


O monstro da solidão...


Estar sozinho não é necessariamente estar solitário, não obstante estar acompanhado não nos livra desse mal. Estar acompanhado de nós mesmos pode ser muito mais produtivo do que estar em meio a todos os outros.


Por que não toma uma providência? Não ligaria, pois não saberia o que dizer. Gostaria de apenas ouvir uma voz reconfortante que falasse sem parar. Apenas ouvi-la já seria incrível. Ei, livre-me desse livro. Livro de ideias tolas que escrevemos na mente durante tanto tempo. Pra quê? Ninguém irá ouvir com prazer o que tens a dizer. Cale-se. Sofra. Sozinho você veio até aqui, ou não? Que ingratidão!


É apenas sentimento. Não ressentimento. É apenas momento. Não passado. É presente. Logo passará. Ou não. Quem sabe? Estar sozinho não é estar solitário. Estar sozinho não é ser sozinho. É apenas estar precisando não estar mais. O ser é outra coisa, bem maior.


O monstro da solidão é gigantesco e silencioso, machuca pela própria ausência. E natureza nem se fala. E hoje sinto-me tão sozinho que não consigo encontrar nem as palavras...



@adilsongl

10 de dezembro de 2010

Desejo sem lembrança

Que ensurdecedor! Não há mais nada a ser feito, mesmo sem aprovação da razão usaste todo o teu empenho com emoção para que pudesse colocar em prática o que achava ser certo. É a última vez. Pela última vez. Sempre a última vez, né?


Abafou-se qualquer possibilidade de reação espontânea e dia após dia todas as fantasias tem sido massacradas. A realidade faz questão de marcar presença! E a presença, meus caros, é real! Sinta-te abafado. Todos aqueles belos e longos campos arejados e extensos não passam de um buraco escuro e silencioso.


É lá. É ali. Foi ali. Tudo não passa disso. De onde tu vieste é o mesmo lugar para onde voltarás. Tu e ele e eu. Pare de tentar substituir o que já está consagrado em tua memória. Pare de desesperadamente achar que alguma coisa virá para girar o mundo e as mais profundas lembranças. Ah!


Desejo eterno de uma mente sem lembrança alguma. Apenas sentimentos e intuições, quem dera? Adianta não. Chame teu fantasma para a varanda. Senta-te. Ofereça um café... E assim poderás ter um vestígio de paz ou se preferir os tenha como algoz, pro resto dos restos.


Para quem ama a justiça, é doloroso constatar que não há nada além dos portões dos mais nobres valores. Porque lá fora é mundo, e mundo é bom ou ruim, do bem ou do mal. É sentido e interessado. Justiça depende totalmente e exclusivamente dos méritos. Bondade ignora-os e a maldade... Melhor retirar-me.


Tudo são flores e sempre serão quando se está precisando e quando se está disposto. Tudo é eterno enquanto convir. Toda eternidade é pouco na comparação inundada de sentimentos latentes. É perfeito até percebermos que realmente ela não se mostra enquanto sobriedade. Tudo é incrível até o mundo ser apenas teu. Meu.


O mundo é mundo desde que o mundo é mundo, mas o mundo que é o verdadeiro mundo só pode ser visto por quem está nele e nele vive, consciênte. Já que as pessoas criam o seu próprio mundo e colocam apenas quem as fazem bem. E o mundo egoísta e individual é um reflexo, como se fosse uma parte do coletivo e real. O pequeno mundo é consiso de bem e de mal e não de méritos e muito menos de justiça.


Seja como for... Porque hoje você está estranho. E o sempre? É uma condição.



@adilsongl

3 de dezembro de 2010

Saudade

Tão saudoso de tudo o que ainda está entre nós mas não será mais alcançado por orgulho e por respeito. Há aquelas que sejam naturais pela distancia geográfica, na qual o amor supre. Há aquelas que sejam naturais pela distancia de almas, na qual corrói.


Que explicação seria viável e um pouco confortável? Que explicação conseguiria ilustrar o que se passa, por dentro. Foram tão especiais quanto enquanto eram vigentes e vivas no presente, mas só podemos ter a dimensão do que alguém foi em nossa vida depois que se passa e depois que se vai, mesmo estando.


Mesmo sabendo e tendo plena consciência de que o fim já se tornou tão longinquo quanto os momentos que trazem a tona toda a dor, há saudade. Mesmo sabendo que a idade não influenciou em nada como nos permitimos pensar para escapar da clausura do querer, há saudade.


Ela está presente e sempre estará, porque só deixa saudade o que foi vivido com amor, nada mais! É o amor que ficou. É o pouquinho de alma que investimos naquilo que passamos. A cada novo ciclo, um pouco de nós fica mas não por isso saímos mais fracos.


É uma eterna mudança de perspectivas, quem foi especial e transformou alguns de seus dias ao ser vista anos depois pode ser apenas mais uma desconhecida ao seu redor, ao redor do mundo. Ao passo de que alguém que mudou alguns de seus segundos de alguns de seus dias sem ser vista pode ser para todo o sempre aquela mesma essência.


As coisas acontecem exatamente da mesma forma, com a mesma estrutura e dinâmica. Acontecem, se repetem, se esquecem. O que dá o tom da vida são os sentimentos. Que ficam. Que se vão. Que não existem. Que virão. O que dá o tom. São os sentimentos que dão o tom, o tom de viver.



@adilsongl

26 de novembro de 2010

Extra Consciência

Você... Tenta se mostrar forte o tempo todo e comportar todos os pesos em suas próprias costas, dizendo insistentemente que pode e que consegue. Não duvido dessa capacidade, mas toda estrutura tem o seu ponto fraco, e por mais forte que seja em algum momento cede ou ao menos transforma-se, porque as rochas e montanhas enormes desse mundo foram atingidas pela insistencia do vendo e das gotas de chuva.


Eu sei que é muito dificil manter-se de pé em meio a tanta rasteira, mas quem disse que seria de outro jeito? Você pensa que conseguiu enxergar tudo e todos realmente como são, inocente! Isso não é possível, não da maneiro heróica como você se colocava nesse mundo. Afinal, até os super-heróis tem suas problemas e dores. Apesar de tudo.


Quando precisam não hesitam em procurar-te e apoiar-se em ti, e você se sente bem com isso, já que essa atitude é uma forma bem velada de afirmar o que você tanto quer acreditar, és forte demais, além da conta! Não é?


Mas depois de um dia ensolarado e agradável, o clima sempre vira. Você precisa, necessita e apesar de não querer ceder sabe que não tem outra alternativa. E então passa a procurar alguma coisa, alguém que possa te segurar. BAQUI! Estás sozinho, como tantos outros estão. Quem se importa com os outros das estatísticas se é em você que dói. Massacra?


Hoje mal as palavras sairam da tua boca, porque não tens o que dizer. E se disser, será vazio. Já que não gosta de desperdiçar nada, calou-se. Hoje seu consciente insiste em mostrar que tens muito mais do que muita gente, mas teu coração contradiz. Teu coração sangra. Teu coração chora. Você chora, sem lágrima alguma. Você cede. Você já caiu, há muito tempo. Mas finge estar não sentir nada, como em um sonho.


Precisou de um ombro para chorar, não foi? Conseguiu? Precisou de ouvidos para ouvi-lo, não foi? Conseguiu? Precisou palavras para ler, até leu. Precisou músicas para ouvir, até ouviu. Precisou dizer, até disse. Mas não da forma como gostaria, ou que acha que seria eficaz. Precisou... Precisou... Precisou...



@adilsongl

19 de novembro de 2010

Interesse Superficial

As coisas tem sido colocadas de maneira deturpada e o pior é que todo mundo concorda, abaixa a cabeça e mantém a mesma linha, mas ainda pior é vestir a camisa desse movimento involuntário dos preguiçosos ideológicos. Que medo!


É com grande pesar que quem se pega observando e criticando hábitos, hoje tão comuns diz que tudo chegou a um ponto que a volta é impossível. Não dá mais para vivermos com a tranquilidade que um dia nos foi propriedade, na verdade, minto, dá sim... Mas você ficará à mercê dos costumes sociais intrínsecos a toda existência.


Não é bom confirmar essa tese, de maneira nenhuma... Os céticos não são assim por escolha, porque escolhem simplesmente acreditar no pior das coisas, apenas são capazes de enxergar além da esperança rasa pregada por falsos otimistas, pessoas “felizes”. Por favor!


Ninguém, nem natureza, nem coisa, nem gente se voltará contra você de graça, por puro esporte. Haverá sempre uma motivação, seja ela fútil ou não, haverá. É bastante simples: Consequência. Não poderás te colocar na posição de inocente injustiçado quando na verdade, com tua preguiçosa ganancia ousou escolher o caminho onde tudo seria mais fácil. Pena que ninguém disse bem alto que existem apenas dois caminhos: O fácil e o correto. Né?


O que resta a nós, pobres e relez mortais se não lamentar? O que mais nos resta?


Certa feita um importante Conde de Rochester, província britânica disse: “Toda relação de interesse será feita as suas próprias custas” ou seja, ela irá iniciar-se e exaurir-se no mesmo ponto, embasado no mesmo objeto e/ou objetivo, sem excessões.


Uma pessoa, seja ela qual for, de onde e como for que se colocar na vida de outra buscando algo além do que o ser e estar junto, dá inicio a uma relação de interesse. Se colocar na vida de alguém como amigo apenas para usar a piscina da casa ou ter carona para as noitadas, colocar-se na vida de alguém enquanto namorado na busca de sexo constante e mais regular que um solteiro teria, casar-se com alguém para subir social ou financeiramente são, além de bons, típicos exemplos.


Quando o dinheiro acabar e as dificuldades vierem, tudo estará perdido. Quando o sexo não mais lhe satisfizer como gostaria, tudo estará perdido. Quando a casa for vendida e o carro ficar velho, tudo estará perdido, inclusive você meu caro, inclusive você que não terá nada. A essência dessas relações todas são necessárias. A paixão entre os namorados, o amor entre pai e filho, a amizade entre quaisquer pessoas, são vitais. Os sentimentos são vitais.


Não que eu seja cético ou pessimista, apenas não ignoro o lado negativo das coisas e não me deixo cegar pelo otimismo.



@adilsongl

11 de novembro de 2010

Na Mira


PARE! PARE AI AGORA! O QUE TENS?


Que maluco cara, o medo toma conta de nós e nos coloca numa posição completamente paralítica. Qualquer movimento, não necessariamente brusco, em vão, pode significar o fim.


O medo da dor por incrível que pareça é o menos encômodo.


MEDO! MEDO! MEDO!


Quantos sinônimos traduzem fielmente essa sensação? Não há arrependimento, apenas medo de não conseguir fazer o que tanto se quer, e o pior... De nunca mais imaginá-la. Quem disse que não poderia ser pior?


A alma se enche de receio e tristeza, porque só temos a dimensão de quanto vale a vida quando nos vemos sem sua propriedade.


A alma se enche de lágrimas e molha todo o restante do corpo, que sangra por dentro e dói, dói, como jamais. Nâo há choro visível, nem lágrima a ser seca mas existem.


E pensar que só uma coisa é capaz de sanar esse temor, não é a toa que será eterno.



@adilsongl

5 de novembro de 2010

Com raiva

Alô?


Bla... bla... bla...


Tudo o que for sentido da forma mais intensa possível poderá ser esquecido, sem pedido.


Há dois olhares pertinentes à isso:


Vamos lá!


Poderás entregar-se ao grande sentir odioso que toma conta do ser em face ao que vê, vive, e sente. Poderás canalizar essa força incrivelmente grandiosa de magnitude desconhecida até para quem a abriga, e redirecioná-la ao sucesso.


O que escolherás? Já mentiu muito. Já sumiu muito. Surgiu muito. Fugiu muito. Muito desistiu. Insistiu.


Não se quer mais nada, muito menos alguém. Precisa-se de alguém, paradoxo seria como utópico ter outro de mim mesmo para me consolar.


Chegamos ao ponto desconfiar do que já é certeza.


Chegou esperança à luta por aceitar o que não mais foi desejado. De esperança não se encha, pois a ilusão será consequência, sem dúvida.


Não se quer mais nada, muito menos alguém! Descobriu-se a fórmula da motivação anestesiada, alimentada constantemente de solidão e razão.


Não me ligue mais.


Só sabe quem deveria saber, e ainda sim, pensando bem, pouco.


HAHAHA


Tu não sabes de nada, meu caro.



@adilsongl