
A hora muda no ponteiro tão veloz que nem percebemos, não obstante podemos ouvir as passadas de segundo a segundo com o martírio de quem espera. Dias vazios sobre dias vazios vão configurando o resumo da nossa existência. Mesmo tentando uma disciplina as coisas não fluem como deveriam, ou melhor, elas não fluem.
Sonhamos, imaginamos e formulamos a concretização de algo tão desejado. É. Esperávamos abraços e ganhamos as costas de tudo que sempre nos permitimos ser. Contenhamo-nos, é mais saudável.
Cada noite vivida acaba por esvaecer-se em uma imensa grandeza de solidão e no barulho ensurdecedor do silêncio. Ah! Como ele sabe como nos fazer gritar loucamente de dor, por um socorro que nem se sabe de onde possa vir. Olha-se, vê-se água por todos os lados, estamos à deriva. Estamos juntos e ao mesmo tempo tão separados pelo medo de novas decepções.
Fomos derrubados inúmeras vezes por quem já era de se esperar, por fraqueza. Mais algumas outras por quem tinhamos como porto seguro, por amor. Caíamos, perdoáva-mos, caíamos, continuávamos, caíamos, levantáva-mos. Já nem sentimos tanto, falta prantos de tanto que já foram derramados.
Cá estamos, perdidos, desiludidos, mas felizes ou... apenas fingindo estarmos para nos enganarmos. Compara-te, não vês justiça alguma no desenrolar das histórias, pois onde está a justiça de teus feitos? Onde está? Ela existe realmente ou é só isso, apenas isso? Nossas crenças não mais valem de nada, entremos no jogo. Entremos todos no jogo! Me recuso a acreditar nisso. Não pode ser.
Todavia, quando tudo parece perdido anjos nos encontram, sempre. Eles aparecem pra nos trazer esperança, nos fazem esperança, e nos arrancam sorrisos com toda sua sofisticada simplicidade. Oras! Eu já não lhe conheço? Tenho a nítida impressão que sim. Deve ser de outros tempos, daqueles onde tu não eras quem és. Relativize-se! Quem tu és para tua mãe? Quem tu és para teu fiél amigo? Quem tu és para mim? Quem tu és pra ti mesmo? Quem tu és...?
Naquela noite onde mais nada já poderia trazer encanto eis que vejo, do nada, um sorriso. Brincava! Como se fosse uma pequena criança, sem nenhuma preocupação. Doce ilusão, por trás daqueles sorrisos encantadores havia uma história tão densa, havia um sofrimento sem tamanho sim! Vi sua face mudar quando tua lembrança vestiu-lhe de saudade, daquelas que eu não saberia descrever, é restrita a quem convive com ela. Nossa... Recitei, eu recitei algo que adorava ler e me arrepiei como nunca antes. Havia mais alguém nos observando. Os olhos se encheram d'água, era nossa alma pedindo liberdade de tudo aquilo que tem nos prendido há tanto tempo. Seu rosto tão lindo, igualzinho aquele retrato de alguns tantos anos atrás não revelam nem de perto o tamanho da cicatriz. Sejamos gratos a isso, aos anjos.
Eles vem para nos salvar dos pequenos segundos de sofrimento sentidos a cada tic-tac. Que essa intensidade seja sempre lembrada com um sorriso igual a um dos que me arrancaste singelamente, mesmo que essa tenha sido a única vez.
Texto dedicado a menina mulher mais bacana de todos os tempos: http://samanthajls.blogspot.com/ - Samantha Sousa.
Adilson Guimarães
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