30 de janeiro de 2017

Quanto tempo é nunca mais?

Quanto tempo é nunca mais?

Dizem que pode ser a eternidade de um momento doloroso de se esquecer. Esses momentos continuam conosco sendo carregados em nossos ombros, alimentando o motivo de tanto sofrer.
Dizem que pode ser o nada tomando conta de tudo, onde não se faz mais sentido ser amigo das lembranças que ignoram a ideia de furuto.

Quanto tempo é nunca mais?
Por vezes olhamos de soslaio para o rumo da saída, mas não queremos caminhar, pois estamos tão apegados ao estado que nos encontramos, que mesmo a infelicidade é difícil de largar.

A gente quer manter a ideia de que é pleno, que consegue dar conta de tudo e, olha que absurdo, que é capaz de controlar. Mas o controle não existe, a estabilidade não existe, pode até parecer fácil, mas só pra quem assiste.

Alguém vai embora porque quer, alguém vai embora sem querer. A falta de alguém que se foi é intensa demais, mexe, bagunça, faz tudo deixar de ser e passar a parecer. Passamos a ser a insegurança de que haja alguma coisa sólida, porque o medo de ver arrancado mais um pedaço do coração é maior.

Afinal, quanto tempo é nunca mais?

Não foi porque passei por isso sem chorar, não foi porque não caí na primeira esquina que eu não esteja derrubado. Não foi porque mesmo destruído e com a alma em frangalhos, eu não tive que segurar o mundo nas costas, porque se eu inventar de ceder, nada continuará.

O fato é que não existe essa tal da felicidade como momento eterno, assim, sem parar. Principalmente depois que levaram uma parte de nós, ficamos constantemente bagunçados e desesperados em busca de um equilíbrio que sumiu.

Hoje eu sou o resto do que sobrou de mim e preso no tempo, às vezes penso em acabar com isso tudo e dar cabo de mim. Mas realmente não sei o que fazer com essa dor que me invade, confesso que depois de tudo, quase nada faz diferença, porque acordar com essa dor no peito é algo corriqueiro.

De uma vez por todas, quanto tempo é nunca mais?

9 de janeiro de 2017

Perdido

Hoje, sei mais do que poderia saber. Alguns segredo que desvendei não tem mais a graça que chegaram a ter. Hoje, sou preparado, sei como andar melhor e não tropeçar. Hoje até sei bem como é o melhor jeito de que se caminhar.
Mas estou perdido. Não sei onde ficar, aonde encontrar abrigo. Eu não sei mais quem eu posso chamar de amigo porque o projeto de divisão de projetos foi deixado de lado por uma ganância ou insegurança, estamos inquietos, não tenho muito talento em confiar.
Meu bom emprego que rende um bom salário que rende um bom status que rende boas vantagens não diz, sequer indica qual é o brilhantismo de um futuro promissor. Por favor. Estou perdido.
Estava sozinho, encontrei um calor, chamei de amor. O calor apagou e não vejo mais nenhuma centelha do que imaginei ser a salvação, uma paz, um alento pro coração. Estava sozinho, hoje estou solitário.
Mas continuo perdido, sem saber se vale a pena acordar tão cedo e dormir tão tarde. Estou tomando tanta bordoada e cedendo a toda a dúvida que me invade, por ora me sinto valente demais, outrora covarde.
Tão novo, é o que dizem. Deveria estar fazendo mais sem pensar tanto. Deveria ser mais inconseqüente e parar de me esconder, observando pelos cantos. Tão jovem, não deveria se martirizar desse jeito, se deixar consumir e sofrer tanto com essa dor no peito.
E o pior é acordar sem rumo, sem motivação de fazer as coisas direito. Eu só queria um brinquedo, uma mochila nova e poder jogar bola com meus amigos na escola, mas colocaram responsabilidades nas costas de um menino que aprendeu ser homem mais cedo, aprendeu a não procurar, mas ser o próprio abrigo.
E mesmo assim continuo perdido nesse limbo, em um vazio tão grande, à deriva, sem destino. Vejo o inicio bem traçado, mas a escadaria não vejo. Desprezo.

Estou perdido, tendo entender, mas não vejo.

5 de janeiro de 2017

Clareza

Abriu a mão, mas não abriu mão. Deixa que vá, que se vá, que se foi. Abriu o coração que se machucou, que se perturbou e se foi.

Deixou que fosse as melhores fases que a imaginação configurou, não suportou, a realidade chegou e com a escolha se chocou.

Deu um passo, mas o pôr do sol chegou e levou consigo o brilho que ecoava das ondas lá na frente. Fez parecer que os olhos se cegaram e a gente não agia mais assim tão normalmente, embora continuasse naturalmente.

Tudo estava escuro, como sempre esteve. Silente e calmo como jamais sentiu. Veio a luz, alegre que o acudiu, mas quando sumiu, a treva parecia bem mais intensa, bem mais densa.

Ora, se era a mesma treva, a mesma escuridão. Se era o mesmo caminho, o mesmo silêncio e a mesma solidão. Experimentou a luz que o deixara cego por alguns segundos e quando os olhos se abriam para contemplar o azul do céu o verde do mundo, a claridade se apagou, tudo que era antes, continua agora, tudo voltou.

Talvez mais forte, mas quase em frangalhos. Bambeou ao chegar perto de cair e se ralar no asfalto ou nos cascalhos. O carro acertou o portão e a cabeça girava sem parar. Era estranho não ter o eixo e não conseguir se colocar no próprio lugar.

Onde todo mundo está, por que tão estranho? Não precisa nem se colocar nesse lugar, é só pensar: se a traição veio de anos de confidência, de dinheiro, de poder e ganância, o que não esperar?

Abriu a mão, mas não abriu mão. Deixa que vá, que se vá, que se foi. Abriu o coração que se machucou, que se perturbou e se foi.

Clareza, que clareie a mente, que toma as decisões mais conscientemente, que faz com que o caminho seja seguido, sempre em frente. E que as tortuosas curvas e caminhos não sejam os algozes do melhor que pudemos sentir e insistimos em guardar dentro da gente.

2 de janeiro de 2017

Teus olhos

Vi teus olhos e teu corpo e embarquei neles, sem olhar pra trás, sem saber do que era capaz
É uma mistura forte, verdadeira, de um sentimento louco que tudo isso me traz
Me encantei com teu sorriso e me perco nesses olhos baixos de uma forma que quando tenho eles por perto, o resto tanto faz
Deixo uma parte de mim contigo toda vez que parto e só na hora que posso voltar minha alma se satisfaz
Vi teus olhos, teu corpo, mas é tua alma que me hipnotiza,
uma luz que ecoa nesse dia cinza,
e posso ver você de costas na beira do mar
posso sentir a brisa
Só por isso não preciso olhar pra trás
Nada mais importa
Nada mais