5 de janeiro de 2017

Clareza

Abriu a mão, mas não abriu mão. Deixa que vá, que se vá, que se foi. Abriu o coração que se machucou, que se perturbou e se foi.

Deixou que fosse as melhores fases que a imaginação configurou, não suportou, a realidade chegou e com a escolha se chocou.

Deu um passo, mas o pôr do sol chegou e levou consigo o brilho que ecoava das ondas lá na frente. Fez parecer que os olhos se cegaram e a gente não agia mais assim tão normalmente, embora continuasse naturalmente.

Tudo estava escuro, como sempre esteve. Silente e calmo como jamais sentiu. Veio a luz, alegre que o acudiu, mas quando sumiu, a treva parecia bem mais intensa, bem mais densa.

Ora, se era a mesma treva, a mesma escuridão. Se era o mesmo caminho, o mesmo silêncio e a mesma solidão. Experimentou a luz que o deixara cego por alguns segundos e quando os olhos se abriam para contemplar o azul do céu o verde do mundo, a claridade se apagou, tudo que era antes, continua agora, tudo voltou.

Talvez mais forte, mas quase em frangalhos. Bambeou ao chegar perto de cair e se ralar no asfalto ou nos cascalhos. O carro acertou o portão e a cabeça girava sem parar. Era estranho não ter o eixo e não conseguir se colocar no próprio lugar.

Onde todo mundo está, por que tão estranho? Não precisa nem se colocar nesse lugar, é só pensar: se a traição veio de anos de confidência, de dinheiro, de poder e ganância, o que não esperar?

Abriu a mão, mas não abriu mão. Deixa que vá, que se vá, que se foi. Abriu o coração que se machucou, que se perturbou e se foi.

Clareza, que clareie a mente, que toma as decisões mais conscientemente, que faz com que o caminho seja seguido, sempre em frente. E que as tortuosas curvas e caminhos não sejam os algozes do melhor que pudemos sentir e insistimos em guardar dentro da gente.

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